Maranhão 2026: o que o conjunto das pesquisas realmente mostra sobre a disputa entre Braide e Orleans




A disputa pelo Governo do Maranhão em 2026 apresenta uma característica que chama atenção de qualquer pessoa que acompanhe as pesquisas eleitorais: os institutos estão encontrando resultados extremamente diferentes para Eduardo Braide e Orleans Brandão. Dependendo da pesquisa consultada, Braide aparece com uma vantagem confortável ou até muito grande; em outras, existe praticamente um empate; e já há levantamentos colocando Orleans na primeira posição.

Por isso, analisar isoladamente a pesquisa mais favorável a Braide ou a mais favorável a Orleans pode produzir uma impressão equivocada do cenário. A leitura mais prudente exige observar o conjunto dos levantamentos, comparar as datas em que foram realizados, verificar margens de erro, tamanho das amostras e, principalmente, identificar resultados que se afastam sistematicamente dos demais.

Quando fazemos essa leitura mais ampla, Eduardo Braide continua sendo, na nossa avaliação, o favorito no agregado das pesquisas. Entretanto, a eleição parece consideravelmente mais competitiva do que sugerem os levantamentos que chegam a apontar vantagens superiores a 20, 30 ou quase 40 pontos para ele.

O que as pesquisas vêm mostrando

Desde março, os levantamentos apresentam uma oscilação impressionante.

O Paraná Pesquisas encontrou Eduardo Braide com 34,6% e Orleans Brandão com 30,3%, uma diferença de apenas 4,3 pontos.

Na Quaest, também em março, Braide apareceu com 35% e Orleans com 24%. Nesse caso, a vantagem de Braide chegou a 11 pontos.

Outros levantamentos, entretanto, encontraram uma realidade completamente diferente. Pesquisas do Instituto Veritá chegaram a apresentar Braide mais de 30 pontos à frente de Orleans. Em março, um dos cenários apontou aproximadamente 53,4% para Braide e 19,2% para Orleans, uma diferença de 34,2 pontos. Em outro levantamento, a distância chegou a aproximadamente 38 pontos.

A AtlasIntel, em maio, também encontrou uma vantagem muito expressiva: Braide apareceu com 50,1%, enquanto Orleans tinha 23,1%. Uma diferença de 27 pontos.

Por outro lado, outros institutos começaram a revelar uma eleição muito mais apertada.

A Econométrica chegou a encontrar praticamente um empate, com 39,6% para Braide e 39,1% para Orleans.

O INOP também apresentou resultados extremamente competitivos. Em julho, Orleans apareceu com 45,06%, contra 43,52% de Braide. A diferença era de apenas 1,54 ponto e, considerando a margem de erro, o resultado representava empate técnico, embora Orleans estivesse numericamente na primeira posição.

Já o Real Time Big Data, também em julho, apresentou um cenário intermediário: Braide com 44% e Orleans com 31%, vantagem de 13 pontos para o prefeito de São Luís.

Portanto, antes mesmo de chegarmos a agosto, já era possível perceber que os institutos estavam enxergando cenários muito diferentes no Maranhão.

Agosto tornou a divergência ainda mais evidente

As pesquisas realizadas no início de agosto tornaram essa situação ainda mais impressionante.

O IPPI entrevistou eleitores entre os dias 6 e 10 de agosto e encontrou Eduardo Braide com 44% das intenções de voto, contra 25,9% de Orleans Brandão.

Isso representa uma vantagem de 18,1 pontos para Braide.

Quando o IPPI considera apenas os votos válidos — excluindo brancos, nulos e indecisos — Braide chega a 53,5%, enquanto Orleans aparece com 31,5%.

Nesse cenário específico, se a eleição reproduzisse exatamente aquele resultado, Braide teria votação suficiente para vencer no primeiro turno.

Mas praticamente nos mesmos dias surgiu uma pesquisa apresentando a situação inversa.

O Instituto Véritas realizou seu levantamento entre 8 e 11 de agosto, entrevistando 1.000 eleitores maranhenses. A pesquisa está registrada no TRE-MA sob o número MA-01632/2026 e informa margem de erro de 2,09 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

O resultado foi Orleans Brandão com 47,5% e Eduardo Braide com 39,1%.

Felipe Camarão apareceu com 4,3%; Roberto Rocha, 3,3%; André Luís, 1,6%; Reginaldo Lima, 0,4%; e Saulo Arcangeli, 0,1%. Brancos e nulos representaram 0,9%, os indecisos ou aqueles que não sabiam responder somaram 2,6%, e 0,3% não opinaram.

Nesse levantamento, portanto, Orleans aparece 8,4 pontos à frente de Braide.

Duas pesquisas realizadas praticamente ao mesmo tempo apontam vencedores diferentes

Esse talvez seja o dado mais importante de toda a análise.

O IPPI realizou entrevistas entre 6 e 10 de agosto e encontrou:

Braide 44% x 25,9% Orleans — vantagem de 18,1 pontos para Braide.

O Véritas entrevistou entre 8 e 11 de agosto e encontrou:

Orleans 47,5% x 39,1% Braide — vantagem de 8,4 pontos para Orleans.

Ou seja, durante vários dias, as duas pesquisas estavam simultaneamente em campo entrevistando o mesmo eleitorado maranhense.

Mesmo assim, chegaram a conclusões completamente diferentes.

Se transformarmos os resultados em uma única medida — a vantagem de Braide sobre Orleans —, passamos de Braide +18,1 no IPPI para Braide -8,4 no Véritas.

Isso representa uma distância de aproximadamente 26,5 pontos percentuais entre as duas estimativas da diferença entre os candidatos.

É uma divergência extraordinariamente grande e muito superior ao que poderia ser explicado simplesmente pelas margens de erro divulgadas.

Isso não significa, por si só, que uma das pesquisas seja fraudulenta ou esteja necessariamente errada. Existem diferenças metodológicas, de amostragem, ponderação e distribuição geográfica capazes de produzir resultados diferentes.

Mas significa que o eleitor deve ter enorme cautela ao interpretar qualquer uma dessas pesquisas isoladamente.

Na prática, existem três retratos diferentes da eleição

Quando agrupamos os resultados, podemos perceber três grandes tendências.

Existe um primeiro grupo de pesquisas que apresenta Braide com uma vantagem muito grande. Nessa categoria aparecem levantamentos do Veritá, AtlasIntel e alguns resultados do IPPI.

Existe um segundo grupo no qual Braide continua liderando, porém com uma vantagem bem mais moderada. Paraná Pesquisas, Quaest e Real Time Big Data ajudam a formar esse cenário.

E existe um terceiro conjunto que aponta empate ou Orleans Brandão na liderança. É onde aparecem resultados da Econométrica, INOP e Véritas.

Essa divisão é fundamental para entender por que não consideramos prudente afirmar simplesmente que “Braide está disparado” ou, no sentido contrário, que “Orleans já virou a eleição”.

Há evidências para uma vantagem de Braide no conjunto, mas também existem evidências suficientes para considerar Orleans competitivo.

O problema dos resultados extremos

Inicialmente, uma possibilidade seria simplesmente eliminar as pesquisas que apresentassem as maiores discrepâncias em relação à média.

Entretanto, depois de observar a sequência dos levantamentos, consideramos mais correto não descartar automaticamente nenhum instituto apenas por estar distante do consenso.

Isso acontece porque alguns institutos parecem repetir determinados padrões.

Há pesquisas que sistematicamente encontram um eleitorado muito mais favorável a Braide. Outras repetidamente encontram Orleans em situação significativamente melhor.

Em estatística eleitoral, isso pode estar relacionado ao chamado “house effect”, ou “efeito de instituto”.

Em termos simples, significa que a metodologia de determinado instituto pode fazer com que seus resultados sejam sistematicamente alguns pontos mais favoráveis a determinado candidato quando comparados ao conjunto dos demais levantamentos.

Isso não significa necessariamente manipulação. Pode resultar de diferenças na construção da amostra, na forma de abordagem do eleitor, na ponderação dos entrevistados, na distribuição regional, na ordem das perguntas, na metodologia de coleta e em diversas outras escolhas técnicas.

Por isso, em vez de simplesmente apagar os resultados extremos, consideramos mais adequado reduzir o peso deles no consolidado.

Por que uma média simples também pode enganar

Imagine duas pesquisas.

Uma apresenta Braide 38 pontos à frente.

Outra apresenta Orleans oito pontos à frente.

Se simplesmente calcularmos a média, obteremos aproximadamente Braide 15 pontos na frente.

Mas isso não significa que 15 pontos seja necessariamente o retrato correto da eleição.

Quando existe uma dispersão tão grande, a média aritmética fica excessivamente sensível aos extremos.

Por isso, uma análise mais cuidadosa precisa considerar também a mediana dos resultados, a recência das pesquisas, tamanho da amostra, margem de erro e possíveis efeitos sistemáticos de cada instituto.

É exatamente por isso que não devemos dizer que determinada pesquisa possui “o maior desvio-padrão”. O desvio-padrão é uma medida do conjunto. O que podemos analisar individualmente é quanto determinado resultado se afasta do centro da distribuição das pesquisas.

E atualmente existem resultados muito distantes do centro nos dois sentidos.

Como deveria funcionar um consolidado mais confiável

Na nossa avaliação, um agregador das pesquisas do Maranhão deveria utilizar pelo menos cinco critérios.

O primeiro seria a recência. Uma pesquisa realizada em agosto deve ter maior influência sobre o retrato atual do que uma pesquisa de março, porque o eleitorado pode mudar ao longo da campanha.

O segundo seria o tamanho da amostra. Em condições metodológicas semelhantes, levantamentos com amostras maiores tendem a oferecer maior precisão estatística.

O terceiro seria a margem de erro informada.

O quarto seria justamente o possível efeito de instituto, reduzindo a influência de levantamentos que repetidamente se afastam muito do conjunto.

E o quinto seria utilizar medidas robustas, como a mediana, para impedir que resultados extremamente altos ou baixos distorçam completamente o agregado.

Também é indispensável não misturar duas coisas diferentes: intenção de voto total e votos válidos.

No IPPI de agosto, por exemplo, Braide aparece com 44% da intenção total. Depois que são retirados brancos, nulos e indecisos, passa para 53,5% dos votos válidos.

São números diferentes e respondem a perguntas diferentes. Comparar os 53,5% de votos válidos do IPPI diretamente com os 47,5% de intenção total do Véritas seria metodologicamente inadequado.

Afinal, quem está na frente?

Considerando todo o conjunto de pesquisas analisadas, nossa leitura continua colocando Eduardo Braide como favorito neste momento.

Mas existe uma diferença importante entre dizer que alguém é favorito e afirmar que a eleição está decidida.

Os dados não permitem, na nossa avaliação, concluir que Braide esteja hoje 30 ou 40 pontos à frente de Orleans no conjunto do eleitorado maranhense.

Da mesma forma, também não considero prudente assumir que Orleans esteja efetivamente oito pontos à frente simplesmente porque esse foi o resultado da pesquisa Véritas.

Os extremos devem ser tratados com cautela.

Quando reduzimos a influência desses resultados e observamos o centro da distribuição, nossa estimativa informal fica aproximadamente na seguinte faixa:

Eduardo Braide entre 42% e 43%.

Orleans Brandão entre 35% e 37%.

Isso produziria uma vantagem central próxima de sete pontos para Braide, com uma faixa razoável de trabalho de aproximadamente cinco a dez pontos.

É importante deixar muito claro: esses números não constituem uma pesquisa eleitoral. São apenas uma estimativa analítica produzida a partir da combinação dos levantamentos disponíveis e das enormes divergências existentes entre eles.

Orleans está fora da disputa? De maneira alguma

Esse é outro ponto que mudou bastante com a sequência de pesquisas.

Se observássemos apenas AtlasIntel, IPPI ou Veritá, poderíamos imaginar uma eleição praticamente encaminhada.

Mas quando acrescentamos Econométrica, INOP e agora Véritas, essa conclusão deixa de ser segura.

A Econométrica encontrou praticamente empate.

O INOP colocou Orleans numericamente na frente em julho.

E agora o Véritas apresenta Orleans com 47,5%, contra 39,1% de Braide.

Portanto, já não estamos falando de apenas uma pesquisa isolada apresentando Orleans competitivo.

Há levantamentos diferentes apontando uma eleição apertada ou Orleans na primeira posição.

Isso não elimina a vantagem que Braide apresenta no agregado, mas impede que a disputa seja tratada como resolvida.

Capital e interior podem ajudar a explicar a diferença

Existe ainda uma hipótese importante que merece ser investigada.

Eduardo Braide é prefeito de São Luís e possui uma base eleitoral extremamente importante na capital e na Grande Ilha.

Orleans Brandão, por sua vez, está inserido em um grupo político com grande capilaridade no interior do Maranhão.

É possível, portanto, que parte das diferenças entre os institutos esteja relacionada à maneira como cada pesquisa distribui sua amostra pelo território estadual.

Se um instituto captura proporcionalmente um eleitorado no qual Braide é muito forte, seu resultado estadual pode subir significativamente.

Se outro levantamento capta de maneira diferente municípios do interior nos quais Orleans apresenta desempenho superior, a fotografia pode mudar.

Isso precisa ser verificado nas planilhas e relatórios metodológicos de cada pesquisa. Não podemos afirmar que essa seja a causa sem analisar os dados completos, mas é uma hipótese bastante relevante diante da magnitude das diferenças observadas.

E existe possibilidade de vitória no primeiro turno?

Existe, mas ainda considero cedo para tratá-la como o cenário mais provável.

O levantamento do IPPI oferece um cenário bastante favorável a Braide.

Quando considerados apenas os votos válidos, ele chega a 53,5%, ultrapassando os 50% necessários para uma vitória no primeiro turno.

Entretanto, esse cenário não se repete de maneira consistente no conjunto dos institutos.

Real Time, Paraná, Quaest, INOP, Econométrica e Véritas apresentam retratos que tornam a possibilidade de segundo turno muito mais relevante.

Por isso, olhando o conjunto e não apenas o IPPI, nossa avaliação atual é de que um segundo turno entre Eduardo Braide e Orleans Brandão deve ser considerado o cenário mais prudente neste momento.

Conclusão

Depois de analisar o conjunto das pesquisas divulgadas até meados de agosto, a conclusão mais equilibrada é que Eduardo Braide permanece como favorito no agregado, mas Orleans Brandão está efetivamente dentro da disputa.

A vantagem real de Braide provavelmente é menor do que aquela apresentada pelos levantamentos mais favoráveis a ele. Nossa leitura estatística informal coloca essa diferença atualmente em uma região próxima de cinco a dez pontos, com aproximadamente sete pontos como referência central.

Entretanto, existe um nível de incerteza excepcionalmente elevado.

O fato mais impressionante desta eleição, até agora, talvez nem seja a liderança de Braide ou o crescimento de Orleans.

É a extraordinária divergência entre os institutos.

Em agosto, enquanto uma pesquisa realizada entre 6 e 10 de agosto apresentou Braide 18,1 pontos à frente, outra, realizada entre 8 e 11 de agosto, apresentou Orleans 8,4 pontos na frente.

São pesquisas realizadas praticamente ao mesmo tempo, sobre o mesmo eleitorado, chegando a uma diferença de 26,5 pontos na margem entre os dois principais candidatos.

Esse fenômeno exige cautela.

Portanto, a fotografia que considero mais responsável neste momento é a seguinte:

Eduardo Braide é o favorito, mas não está disparado no conjunto das pesquisas. Orleans Brandão é o principal adversário e permanece competitivo. Uma vitória de Braide no primeiro turno é possível em alguns levantamentos, mas ainda não é sustentada pelo conjunto. O segundo turno continua sendo uma possibilidade forte. E, acima de tudo, qualquer afirmação categórica baseada em uma única pesquisa deve ser vista com muita cautela.

A eleição para o Governo do Maranhão ainda está aberta. E, diante de tamanha divergência entre os institutos, as próximas pesquisas — especialmente aquelas realizadas por metodologias diferentes e com detalhamento regional — serão fundamentais para sabermos se os resultados começarão a convergir ou se o Maranhão continuará apresentando uma das disputas mais difíceis de medir das eleições de 2026.